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Luiz Oliveira

Junho|2022

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Créditos de Carbono ou Reflorestamento.
Qual a Melhor Solução?

Com informações da BBC.
Essa pergunta divide a opinião de muitos gestores no mundo inteiro, com defensores de cada lado. Tendo como base argumentos cientificamente comprovados, neste post vamos apresentar detalhes das duas soluções para que você faça a melhor escolha para a sua empresa e para o planeta.

O crédito de Carbono funciona assim: uma entidade paga a outra pelo direito de emitir gases que provocam o efeito estufa, como o Dióxido de Carbono (CO2).

O recebedor desse dinheiro, em tese, o investe em fontes de energia renováveis e deixa de desmatar. Cada crédito é equivalente ao aquecimento global causado por uma tonelada métrica de CO2.

O Brasil, que concentra um terço da área de floresta tropical do mundo, é um dos maiores receptores de recursos do crédito de Carbono.

O mercado dos créditos é atraente para indústrias altamente poluentes(como companhias aéreas) e países industrializados que assinaram o acordo climático de Paris, porque a compra de créditos de Carbono pode servir como uma alternativa mais barata do que reduzir de fato o uso de combustíveis fósseis.

No entanto, de acordo com reportagem da ProPublica (uma corporação sem fins lucrativose redação independente que produz jornalismo investigativo de interesse público, com sede em Nova York), a empolgação com tais planos tem deixado muitos de seus defensores cegos para o fato de que, cada vez mais, surgem evidências de que tais sistemas não trouxeram - e tampouco trarão no futuro - o benefício climático desejado.

A jornalista Lisa Song, especializada na cobertura de meio ambiente, energia e mudanças climáticas e que assina a reportagem com colaboração de Paula Moura, analisou os projetos realizados em diversos países nas últimas duas décadas, pesquisou estudos e relatórios governamentais publicados ao redor do mundo e até contratou uma análise de satélite independente para avaliar o quanto restava de um projeto de preservação florestal que começou a vender créditos de Carbono em 2013. Quatro anos depois, só havia florestas em metade da área do projeto de preservação.

A conclusão da ProPublica é que os créditos de Carbono não compensaram a quantidade de poluição que se esperava, ou trouxeram ganhos que foram rapidamente revertidos ou que não podiam ser comprovados e medidos. 'Em última análise, os poluidores receberam um passe livre para continuar emitindo CO2 sem culpa, mas a preservação da floresta não chegou a acontecer, ou não durou', escreve ela. Ou seja, a medida pode ser ainda pior do que simplesmente não fazer nada sobre a questão.Um dos problemas é que, para que o sistema desse tipo de compensação funcione, é preciso que haja uma contabilidade muito bem feita.É preciso estabelecer uma base, um cálculo de quanto desmatamento haveria sem os créditos de Carbono. Mas, infelizmente, é muito fácil manipular o sistema inflando esses números, prática que tem se tornado cada vez mais comum.

A derrubada das florestas tropicais é responsável por cerca de 20% das emissões anuais de gases causadores do efeito estufa. Portanto, deter a derrubada de florestas é algo muito relevante para conter as emissões de Carbono.

Um estudo da Universidade de Exeter, no Reino Unido, sugere que regenerar estas florestas é também a melhor forma de recapturar CO2 que foi lançado na atmosfera - ajudando, portanto, a segurar o aumento da temperatura.

A líder do estudo é a Especialista em Ciência do Clima, Anna Harper. Segundo ela, levantamentos anteriores sugerem que a recuperação das áreas de floresta tropical, como a Mata Atlântica, poderia remover até duas gigatoneladas de CO2 da atmosfera por ano. Um número significativo, se levarmos em conta que o total de emissões atuais é de 10 gigatoneladas por ano.
Cientistas dizem que, mesmo que o mundo zere as emissões de Carbono até a metade deste século, ainda é possível ampliar os esforços com 'emissões negativas', de forma a atingir os objetivos globais contra o efeito estufa.

Técnicas que estão em desenvolvimento para capturar e armazenar Carbonono subsolo e no leito marinho também foram objetos de estudo da pesquisadora britânica.Um artigo publicado por Anna Harper no periódico científico Nature Communications, uma das publicações científicas mais respeitadas do mundo, analisou uma destas soluções - usinas de bioenergia que capturam e armazenam CO2 - e concluiu que plantar ou reflorestar regiões de mata ainda é a melhor forma de sequestrar Carbono da atmosfera e mitigar os efeitos da mudança climática.

Segundo Anna Harper, 'essa conclusão vale para todas as soluções, pois a Natureza já criou o método mais eficiente de captura de Carbono: as árvores– e se compararmos aos créditos de Carbono, os benefícios ambientais são ainda maiores.'

Posted by Luiz Roberto